Entre o sedentarismo e a saúde, a escolha que faz toda diferença

Em meio à rotina cada vez mais acelerada, marcada por longos períodos sentados, excesso de telas e pouco tempo para cuidar do próprio corpo, a atividade física segue como uma das ferramentas mais poderosas para preservar a saúde. Muito além da busca por estética ou desempenho, movimentar-se regularmente é um dos pilares mais importantes da prevenção de doenças e da promoção da qualidade de vida.

A ciência não deixa dúvidas sobre o impacto do exercício no organismo. De acordo com o cardiologista do Hospital Márcio Cunha, Dr. Hallan Reis Trindade, a prática regular de atividades físicas tem efeito direto na prevenção de doenças cardiovasculares, que continuam entre as principais causas de morte no mundo. “O exercício físico tem um impacto direto e muito consistente na prevenção de doenças cardiovasculares. As diretrizes brasileiras mostram que pessoas fisicamente ativas apresentam redução significativa do risco de infarto, de AVC e da mortalidade geral, com redução entre 28% e 43%”, explica o médico.

Esse resultado acontece porque a atividade física atua em diversos mecanismos do organismo ao mesmo tempo. O exercício ajuda a controlar a pressão arterial, a reduzir o colesterol e a glicemia, além de combater processos inflamatórios que favorecem o surgimento da aterosclerose, condição caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias, que podem obstruir a circulação sanguínea para o coração e para o cérebro. “Hoje o exercício não é apenas um complemento. Ele é uma parte essencial da prevenção e do tratamento das doenças cardiovasculares”, destaca o especialista.

Além de prevenir, a atividade física também pode contribuir diretamente para o controle de doenças já existentes. Em muitos casos, mudanças no estilo de vida podem reduzir a necessidade de medicamentos. “Em pessoas com pré-hipertensão ou hipertensão estágio 1, por exemplo, a prática regular de exercícios pode ajudar a normalizar a pressão arterial. Em alguns casos, pacientes que utilizam medicação em doses baixas podem até deixar de precisar do remédio com a adoção de hábitos mais saudáveis”, afirma o cardiologista.

O exercício também auxilia, além do controle da glicemia e redução do colesterol, no tratamento da obesidade, fatores que, juntos, impactam diretamente na saúde cardiovascular. Mesmo em pacientes que já possuem doenças do coração, o movimento continua sendo parte fundamental do tratamento. “Para quem tem doença coronariana, por exemplo, o exercício melhora os sintomas, aumenta a capacidade funcional e melhora o prognóstico. Nem sempre falamos em cura, mas em controle e melhora significativa da qualidade de vida, além da redução do risco de complicações e de morte a longo prazo”, ressalta.

Se por um lado o exercício protege, por outro o sedentarismo se consolida como um dos principais inimigos da saúde. Segundo o médico, a falta de atividade física está diretamente relacionada ao aumento de condições como hipertensão, obesidade, diabetes e alterações no colesterol. “O sedentarismo é um fator de risco modificável muito importante. Muitas vezes ele é silencioso. A pessoa não sente nada no curto prazo, mas ao longo dos anos as doenças vão surgindo até se tornarem graves”, alerta.

Outro ponto que merece atenção é o excesso de tempo sentado. Mesmo quem pratica algum exercício ocasional pode sofrer os efeitos negativos de passar muitas horas do dia parado. “Não adianta fazer atividade física por um curto período e passar o restante do dia totalmente sedentário. É importante também reduzir o tempo sentado e buscar mais movimento ao longo do dia”, orienta.

Para quem deseja começar a se exercitar, o primeiro passo é respeitar as características individuais. Idade, histórico de saúde, uso de medicamentos e presença de sintomas devem ser considerados antes de iniciar qualquer prática. “O ideal é avaliar o perfil de cada pessoa. Nem todos precisam realizar exames antes de começar a se exercitar, especialmente pessoas jovens e sem sintomas. Mas quem tem fatores de risco, como pressão alta, obesidade ou histórico cardiovascular, deve passar por avaliação médica”, explica o especialista.

Independentemente da condição física, outro cuidado essencial é iniciar as atividades de forma gradual, respeitando os limites do corpo e escolhendo práticas que possam ser mantidas a longo prazo. “É importante escolher uma atividade segura e, principalmente, sustentável. Aquela que a pessoa consegue manter ao longo do tempo”, reforça Dr. Hallan.

Nesse processo, o acompanhamento profissional faz toda a diferença. Educadores físicos e profissionais da saúde ajudam a ajustar intensidade, volume e progressão do treino de forma personalizada, aumentando a segurança e a eficácia dos exercícios. “O profissional qualificado consegue orientar a execução correta dos movimentos e a evitar sobrecarga ou excesso de treino, que podem causar lesões. Além disso, ele direciona melhor a intensidade da atividade, especialmente em pessoas com doenças ou limitações”, explica o cardiologista.

As recomendações atuais indicam pelo menos 150 minutos por semana de atividade física moderada, como caminhadas, ciclismo leve ou hidroginástica. Uma alternativa é realizar 75 minutos semanais de atividades mais intensas, como corrida ou esportes coletivos. Além disso, o fortalecimento muscular também deve fazer parte da rotina. A orientação inclui cerca de 75 minutos semanais de exercícios resistidos, como musculação, que contribuem para a manutenção da massa muscular, da mobilidade e da saúde metabólica.

Essas atividades podem ser distribuídas ao longo da semana. Sessões de 30 a 45 minutos, cinco vezes por semana, já são suficientes para gerar benefícios significativos. E para quem acha que não tem tempo, o médico deixa um recado importante: qualquer movimento já conta. “Se a pessoa ainda não consegue atingir os 150 minutos semanais, qualquer quantidade de atividade física já traz benefício. O importante é sair do sedentarismo absoluto. Dar mais de 7.500 passos por dia, por exemplo, já contribui para a saúde cardiovascular”, destaca.

Para incentivar ainda mais a adoção de hábitos saudáveis, a Fundação também promove iniciativas que estimulam o movimento e o cuidado com a saúde. Um exemplo é a 1ª Corrida e Caminhada da Fundação, ação voltada para o bem-estar dos colaboradores, que será realizada no próximo sábado, 16 de maio, no Parque Ipanema. O evento reunirá mais de 1.500 participantes colaboradores das unidades do Vale do Aço, Itabira e da região metropolitana de Belo Horizonte, fortalecendo a integração entre as equipes e incentivando a prática de atividade física como parte de uma vida mais saudável.

Para o cardiologista, iniciativas como essa ajudam a transformar a teoria em prática e mostram que pequenas mudanças podem gerar grandes impactos ao longo da vida. “Quando as pessoas percebem que o exercício pode ser incorporado à rotina de forma prazerosa e coletiva, a chance de manter esse hábito aumenta muito. E esse é o grande objetivo: sair do sedentarismo e construir uma rotina mais ativa, que traga saúde, bem-estar e qualidade de vida no longo prazo”, conclui Dr. Hallan Reis Trindade.

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