Procedimento realizado em Ipatinga amplia as possibilidades de tratamento do câncer de língua e reforça a capacidade do HMC em cirurgias de alta complexidade

O Hospital Márcio Cunha (HMC), em Ipatinga, realizou, na última semana, um procedimento inovador em Minas Gerais, consolidando mais um avanço na assistência oncológica da região. A Instituição foi responsável pela cirurgia de reconstrução microcirúrgica de língua com retalho livre de antebraço, em uma paciente de 25 anos diagnosticada com câncer de língua. A técnica permite reconstruir o órgão imediatamente após a retirada do tumor, com o objetivo de favorecer a recuperação funcional e proporcionar mais qualidade de vida após o tratamento.
A cirurgia envolveu a retirada do tumor, etapa necessária para o tratamento oncológico, seguida da reconstrução do órgão utilizando um retalho livre de antebraço, uma técnica avançada que consiste na transferência de tecido de outra parte do corpo, juntamente com seus vasos sanguíneos. Com o auxílio de microscopia cirúrgica, os vasos são reconectados para restabelecer a circulação sanguínea no tecido transplantado.
O procedimento foi realizado pelo cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Márcio Cunha, Dr. Clineu Gaspar, com a participação de uma equipe de cirurgiões plásticos especialistas em microcirurgia reconstrutora do Hospital de Câncer de Barretos, liderada pelo Dr. Cleyton Dias Souza. A operação também contou com o trabalho dos médicos Dr. Wanderley Freitas, Dr. Cleyton Souza, Maria Souza, Robson Souza e Carlos Neves, além dos instrumentadores Verônica Oliveira e Erivelton Oliveira e da equipe de enfermagem do HMC.
Para o Dr. Clineu Gaspar, a realização de uma cirurgia rara representa um importante avanço para o tratamento de pacientes com câncer de língua, além de demonstrar o potencial da integração entre diferentes especialidades médicas. “Esse procedimento representa um marco para a medicina do Leste de Minas, porque conseguimos associar a retirada do tumor, necessária para o controle da doença, à reconstrução imediata da língua. A técnica microcirúrgica permite recuperar parte do volume e do contorno do órgão, criando melhores condições para a reabilitação de funções importantes, como a fala e a deglutição. É um trabalho de alta complexidade, que exige planejamento, precisão técnica e uma equipe altamente especializada, atuando de forma integrada para oferecer ao paciente as melhores possibilidades de recuperação”, destaca o médico.
A reconstrução da língua é uma etapa fundamental no tratamento de pacientes submetidos a grandes ressecções em decorrência do câncer. Além do controle oncológico, a preservação ou recuperação das funções comprometidas pela cirurgia é um dos principais objetivos da abordagem terapêutica.
A língua desempenha funções essenciais para a fala, a mastigação e a deglutição. Por isso, a retirada de uma parte significativa do órgão pode trazer impactos importantes para a alimentação e para a comunicação. Nesse contexto, o retalho livre de antebraço se destaca pelas características do tecido transferido, que é fino, flexível e adequado à reconstrução de estruturas da cavidade oral.
A conexão dos vasos sanguíneos por meio da microcirurgia permite restabelecer a irrigação do tecido no local reconstruído. A realização da reconstrução durante o procedimento evita a necessidade de uma segunda cirurgia exclusivamente para essa finalidade. Os resultados funcionais, entretanto, dependem de fatores como a extensão da retirada do tumor, a cicatrização e o acompanhamento especializado após o procedimento.
A recuperação envolve uma abordagem multidisciplinar e atuação de profissionais de diferentes áreas, conforme as necessidades de cada paciente. Esse acompanhamento é importante para favorecer a adaptação às mudanças anatômicas e a retomada progressiva das funções comprometidas pelo tratamento.
A realização da primeira reconstrução microcirúrgica de língua do Leste de Minas evidencia a capacidade do Hospital Márcio Cunha de viabilizar procedimentos de alta complexidade por meio da integração entre equipes especializadas e da articulação com instituições de referência. A cirurgia reúne diferentes competências médicas e assistenciais, desde o tratamento do tumor até a reconstrução do órgão, com foco na segurança e na recuperação do paciente.
Para o Dr. Alexandre Silva Pinto, diretor técnico do Hospital Márcio Cunha, o procedimento reforça a relevância da instituição para a assistência à saúde no Vale do Aço e em toda a região. “A realização desse procedimento demonstra a expertise do Hospital Márcio Cunha e a qualificação do nosso corpo clínico para atuar em casos de alta complexidade. Estamos falando de uma cirurgia que exige conhecimento técnico avançado, planejamento criterioso e integração entre diversas especialidades. A capacidade de reunir esses profissionais e oferecer uma abordagem que contempla tanto o tratamento oncológico quanto a reconstrução é fundamental para ampliar as possibilidades de cuidado. Esse avanço reafirma o compromisso do HMC com a evolução da medicina, a qualificação permanente da assistência e a busca por melhores resultados para os pacientes”, afirma o diretor técnico.
Esse procedimento inédito no Leste de Minas representa mais um avanço nas possibilidades de tratamento oferecidas à população do Leste de Minas Gerais. A iniciativa reforça a importância do investimento em conhecimento, da cooperação entre equipes especializadas e da incorporação de técnicas avançadas à assistência oncológica, ampliando os recursos disponíveis para pacientes com câncer de cabeça e pescoço.