Apesar de proibidos no Brasil, os cigarros eletrônicos têm conquistado cada vez mais espaço entre os adolescentes e os jovens adultos. Coloridos, discretos, com aromas adocicados e aparência moderna, os chamados “vapes” se transformaram em um novo desafio no combate ao tabagismo e preocupam especialistas pelos riscos à saúde, principalmente pela alta concentração de nicotina e pelas graves doenças pulmonares associadas ao uso contínuo.
No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, o alerta ganha ainda mais força. Segundo o médico pneumologista do Hospital Márcio Cunha, Dr. Marcos de Abreu Lima Cota, o cigarro eletrônico está longe de ser uma alternativa segura ao cigarro convencional. “O cigarro eletrônico também fornece muita nicotina para o paciente e, muitas vezes, até mais do que o cigarro normal. Como esses dispositivos são proibidos pela Anvisa, não existe um controle ou parâmetro seguro sobre a quantidade de nicotina presente em cada produto”, explica o especialista.
O médico destaca que a forma discreta de utilização do vape acaba contribuindo para o consumo frequente e indiscriminado. Diferente do cigarro tradicional, o eletrônico não produz o cheiro forte característico da fumaça, o que faz com que muitos usuários utilizem o dispositivo até mesmo em ambientes fechados. “O vape não incomoda pelo cheiro, possui essências aromáticas e isso acaba facilitando o uso constante. Além disso, o formato moderno, semelhante a pendrives e outros dispositivos tecnológicos, chama muito a atenção dos jovens e até mesmo de crianças”, alerta.
Outro ponto preocupante, segundo o pneumologista, é o potencial altamente viciante do cigarro eletrônico. A nicotina é entregue ao organismo de forma rápida e intensa, aumentando significativamente a dependência química. “A nicotina chega com grande potência e rapidez. O paciente acaba utilizando o dispositivo muito mais vezes ao longo do dia do que se fosse um cigarro convencional. Isso aumenta ainda mais o risco de dependência”, ressalta Dr. Marcos.
O especialista também chama atenção para o impacto das tendências e da influência social entre os jovens. Para ele, o vape ganhou espaço justamente por ser associado à modernidade, tecnologia e status social. “O jovem segue tendências. Os dispositivos possuem design atrativo, cheiro agradável e acabam sendo vistos como algo moderno. O problema é que muitos esquecem que estão inalando grandes quantidades de nicotina e substâncias que podem provocar danos severos ao pulmão”, afirma.
Embora muitas pessoas acreditem que o cigarro eletrônico seja menos prejudicial que o cigarro tradicional, o médico reforça que essa percepção é equivocada e perigosa. “É um mito achar que o vape faz menos mal. Ele entrega mais nicotina e pode causar danos graves ao pulmão, inclusive de forma aguda. Existem casos de doenças pulmonares severas associadas ao uso do cigarro eletrônico, levando pacientes à insuficiência respiratória, necessidade de ventilação mecânica e sequelas permanentes”, destaca.
Entre os principais riscos estão as inflamações pulmonares graves, as lesões irreversíveis nos pulmões e o comprometimento respiratório severo, especialmente em usuários jovens.
Para quem já utiliza o cigarro eletrônico, o pneumologista reforça que procurar ajuda médica é o primeiro passo para abandonar o vício. “O mais importante é buscar um médico, preferencialmente um pneumologista, para traçar estratégias personalizadas para parar de fumar. Existem tratamentos com adesivos, goma de nicotina e medicações específicas. Mas é fundamental estabelecer uma data para parar. Toda decisão importante precisa de uma data”, orienta.
No Dia Mundial sem Tabaco a mensagem é clara: informação e conscientização continuam sendo as principais armas para evitarem que uma nova geração desenvolva dependência da nicotina e conviva, precocemente, com doenças pulmonares graves.