Instabilidades climáticas colaboram para aumento de casos de arboviroses

Médica da FSFX orienta para os cuidados individuais, que somam de proteção contra a picada do mosquito, responsável pelas infecções de dengue, zika e chikungunya.

O período chuvoso combinado com as altas temperaturas são circunstâncias climáticas que favorecem a infestação do mosquito, Aedes aegypti, responsável pelas infecções de dengue, zika e chikungunya. Em Minas Gerais, de acordo com o boletim epidemiológico, emitido quinzenalmente pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), até o dia 11 de dezembro, foram registrados 380.613 casos de arborviroses (dengue, chikungunya e zika), como é chamado o grupo de doenças causadas por vírus transmitidos, principalmente, por mosquitos.

De acordo com Núcleo de Epidemiologia Hospitalar do Hospital Márcio Cunha, nas últimas cinco semanas (entre 05/11 e 09/12), o número de casos notificados suspeitos de dengue e chikungunya, atendidos na unidade, aumentou expressivamente em 167% em relação ao mesmo período nas semanas anteriores (entre 1º/10 e 04/11). Um levantamento da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), emitido em setembro de 2023, apontou um fator de alerta diante do aumento de casos de dengue nos países da América do Sul. Entre as circunstâncias consideráveis por afetar a proliferação de vetores transmissores de arboviroses, estão as mudanças climáticas de temperaturas e probabilidade maior de eventos climáticos extremos como as inundações, secas extremas e ondas de calor.

O cenário epidemiológico de infestação das arboviroses reforça a necessidade da população ao enfrentamento ao mosquito transmissor, a partir das medidas de prevenção junto às entidades de saúde, com o objetivo de reduzir a transmissão das doenças.  Para a médica da Atenção Primária da Fundação São Francisco Xavier, Gabriella Polastri Stiilpen Barbosa, além de evitar o acúmulo de água, é recomendável que sejam adotadas e intensificadas as medidas de proteção individual.

“É recomendável usar repelente nas partes que estão expostas, seguindo as indicações do fabricante, e a proteção deve ser intensificada ao longo do dia nas áreas do corpo onde o mosquito possa picar. Importante, sempre que possível, optar pelo uso de calças compridas e camisas de manga longa, além de utilizar de mosquiteiros sobre a cama, uso de telas em portas e janelas e, quando disponível, ar-condicionado”, recomenda a médica.

De acordo com a especialista, os principais sintomas da dengue são: febre alta superior a 38°C, dor no corpo e articulações; dor atrás dos olhos, mal-estar, falta de apetite, dor de cabeça; manchas vermelhas no corpo. Já os chamados sinais de alarme são caracterizados principalmente por: dor abdominal intensa (referida ou à palpação) e contínua, vômitos persistentes; acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico); hipotensão postural e/ou lipotímia (sensação de desmaio); irritabilidade e sangramento de mucosa (nasal, oral, otológico).

Em casos de sintomas clássicos da doença é recomendado buscar uma consulta médica, que fará a avaliação geral do paciente. A procura por atendimentos médicos em serviços de urgência e emergência não é necessária na maioria dos casos suspeitos, e sim, para aqueles que apresentam os sintomas associados com comorbidade, sinais de alarme e gravidade.

A infecção pelo vírus da dengue pode ser assintomática ou sintomática. A identificação precisa para a doença pode ser dada pelos testes sorológicos, sendo os dois mais utilizados, a Pesquisa de Antígeno NS1 e Sorologia IgM. O NS1 está presente nas primeiras 72 horas de doença, enquanto a Sorologia IgM costuma positivar a partir do sexto dia de doença. O hemograma deve ser pedido para avaliar paciente com algum sintoma hemorrágico espontâneo ou induzido. Naqueles pacientes com sinais de alarme e múltiplas comorbidades, é necessária uma gama mais ampla de exames laboratoriais e de imagem.

A diretriz indicada atualmente pelo Ministério da Saúde e Secretaria de Estado de Saúde para o diagnóstico de arboviroses é a análise molecular. No Laboratório de Biologia Molecular do HMC I, o exame é realizado de forma pioneira na região, desde maio deste ano, em parceria com a Fundação Ezequiel Dias, instituto vinculado à SES-MG. O exame é ofertado na unidade para pacientes SUS, convênio e particular, contemplando mais de 60 municípios da microrregião do Vale do Aço e macrorregião de Governador Valadares.

Para a médica, ao ter o diagnóstico de dengue identificado, a recomendação é que o paciente faça repouso, hidrate-se, mantenha uma alimentação adequada e fique atendo aos sintomas da doença e, em casos de avanço e em casos dos sinais de alarme, o paciente procure uma ajuda médica.

“Em quadros suspeitos é preciso ter cuidado com a automedicação, visto que, os anti-inflamatórios são contraindicados, já que aumentam a possibilidade de sintomas hemorrágicos associados à dengue. Para controle de dor e febre, a indicação é usar dipirona e paracetamol”, orienta a médica.

Para incentivar estimular a prevenção e dar mais orientações sobre os cuidados no combate ao Aedes aegypti, a Secretaria de Estado de Saúde dispõe de uma plataforma que pode ser acessada https://www.saude.mg.gov.br/aedes

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