A Crononutrição é uma das áreas mais fascinantes da ciência atual, pois demonstra que, para o nosso organismo, o “quando” comemos pode ser tão importante quanto “o que” comemos. Essa área estuda a relação entre os relógios biológicos internos, conhecidos como ritmo circadiano, e a forma como o corpo metaboliza os alimentos.
Nosso cérebro possui um relógio central, localizado no hipotálamo, guiado pela luz do dia. Esse sistema regula diferentes funções do organismo e sinaliza quando é hora de gastar energia e quando é hora de descansar.
Além disso, órgãos como fígado, pâncreas e intestino possuem seus próprios relógios biológicos. Quando nos alimentamos em horários inadequados, especialmente tarde da noite, pode ocorrer um desalinhamento circadiano. Nesse momento, o cérebro entende que é hora de repousar, enquanto os órgãos digestivos são forçados a permanecer em atividade.
Pela manhã, a sensibilidade à insulina é naturalmente maior e o efeito térmico dos alimentos, que corresponde à energia gasta durante a digestão, também é mais elevado. Isso significa que o corpo está mais preparado para utilizar os nutrientes e gastar energia ao longo do dia.
À medida que a noite se aproxima, o organismo aumenta a produção de melatonina, hormônio relacionado ao sono, o que reduz a secreção de insulina. Como consequência, refeições volumosas ou ricas em carboidratos consumidas à noite podem elevar mais a glicose no sangue do que se fossem ingeridas pela manhã, favorecendo o acúmulo de gordura corporal.
Dormir mal ou manter uma rotina alimentar desalinhada também pode interferir na produção de hormônios importantes para o controle do apetite. Alterações na grelina, responsável pela sensação de fome, e na leptina, relacionada à saciedade, tendem a aumentar o desejo por alimentos mais calóricos e dificultar a manutenção de hábitos saudáveis.
ENTENDER A RELAÇÃO ENTRE ALIMENTAÇÃO E RITMO BIOLÓGICO NOS AJUDA A PERCEBER QUE UMA ROTINA SAUDÁVEL ENVOLVE NÃO APENAS A ESCOLHA DOS ALIMENTOS, MAS TAMBÉM ATENÇÃO AOS HORÁRIOS EM QUE ELES SÃO CONSUMIDOS.
TEXTO ELABORADO PELA NUTRICIONISTA, FABIANA BERNARDO LIMA FRANCISCO.