Luta contra o câncer infantil reacende a importância da doação de sangue como esperança para famílias no Brasil

O Dia Internacional do Combate ao Câncer Infantil, celebrado em 15 de fevereiro, reforça a importância da conscientização sobre a doença que ainda representa a principal causa de morte por enfermidade entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil. Dados estimados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que cerca de 8 mil novos casos surgem anualmente no país, cenário que evidencia a necessidade do diagnóstico precoce, tratamento especializado e, principalmente, do apoio da sociedade por meio da doação de sangue, considerada fundamental para a sobrevivência de muitos pacientes.

Dr. Vinícius Magalhães

No Hospital Márcio Cunha, referência em atendimento oncológico na região do Vale do Aço, o hematologista pediátrico, Dr. Vinícius Magalhães, acompanha diariamente histórias que mostram como o gesto solidário de doadores pode ser decisivo no tratamento. Segundo o especialista, os tipos mais comuns de câncer infantil são as leucemias, os tumores do sistema nervoso central e os linfomas, doenças que, muitas vezes, apresentam sinais iniciais silenciosos e podem ser confundidas com problemas comuns da infância.

O médico explica que alguns sintomas precisam despertar atenção dos pais e responsáveis, como o aparecimento de manchas roxas pelo corpo sem causa aparente, perda de peso, febre persistente, dor óssea, dor de cabeça intensa que chega a acordar a criança durante a noite e não melhora com medicação, crises convulsivas, aumento do volume abdominal, crescimento progressivo de ínguas e alterações visuais, como o estrabismo. De acordo com ele, a investigação rápida desses sinais aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento.

Após o diagnóstico, muitas crianças passam a depender de transfusões sanguíneas. Dr. Vinícius destaca que, nos casos de leucemia, doença que se inicia na medula óssea, responsável pela produção do sangue, a necessidade de transfusões costuma ser ainda maior no início do tratamento, período em que o organismo não consegue produzir células sanguíneas suficientes. Ele ressalta que, além da própria doença comprometer a produção do sangue, a quimioterapia, essencial para a cura, também afeta temporariamente essa função do organismo, tornando a transfusão indispensável para evitar quadros graves de anemia e permitir a continuidade do tratamento.

O especialista reforça que a doação de sangue é essencial não apenas para pacientes oncológicos, mas também para pessoas que passam por cirurgias, vítimas de acidentes e pacientes com infecções graves. Ele lembra ainda que o sangue possui prazo de validade, o que torna a doação regular indispensável para manter os estoques abastecidos e garantir que nenhum paciente fique sem atendimento.

 

A força da pequena Marina e o gesto que salvou uma vida

Maissa e Marina (Paciente Oncoped)

A importância da doação de sangue é vivida diariamente por famílias que enfrentam o tratamento do câncer infantil. Maissa Carvalho, mãe da pequena Marina, de 4 anos, paciente da Oncologia Pediátrica do Hospital Márcio Cunha, relembra os momentos de incerteza desde o diagnóstico da filha com Leucemia Linfoblástica Aguda tipo B, no final de dezembro de 2025. “Quando a gente esteve de frente com essa suspeita de algo que nunca imaginou viver, que a gente não conhecia até então e sem nenhum caso na família, a primeira atitude foi pesquisar para entender melhor a doença e conhecer relatos de outras famílias. Isso foi muito importante para mim, porque vi histórias de pessoas que venceram e estão vencendo essa batalha. Foi aí que senti no coração que também deveria compartilhar a nossa história para ajudar e alertar outras famílias”, relata.

Maissa destaca que decidiu tornar pública a vivência da família como forma de inspiração e conscientização e a forma com o qual vem lidando o acompanhamento com a filha chegou a ter um vídeo que viralizou nas redes sociais, com mais de 2 milhões de visualizações. “O diagnóstico não é um ponto final. A doença tem tratamento, tem cura e, inclusive, uma porcentagem muito alta de cura. Tenho certeza de que vamos vencer essa etapa e a Marina será um exemplo de força e superação”, afirma.

A mãe reforça que a atenção aos sinais apresentados pelas crianças pode fazer toda a diferença no diagnóstico precoce. “O conselho que deixo para todos os pais é que tenham sensibilidade para observar seus filhos. A gente conhece quando algo não está bem. Se perceber sintomas diferentes, mudança de comportamento ou prostração, procure atendimento médico e peça exames. É melhor pecar pelo excesso do que pela falta. Procurar profissionais qualificados fez toda a diferença para nós”, destaca.

Durante o tratamento, Marina precisou receber diversas transfusões de sangue, inclusive para realizar procedimentos importantes, como o mielograma, exame que avalia a medula óssea e auxilia na confirmação do diagnóstico. “Ela precisou receber bolsas de sangue em vários momentos do tratamento, inclusive para fazer um procedimento fundamental para o diagnóstico final. Esse exame só poderia ser realizado com as plaquetas e a hemoglobina em níveis adequados. As transfusões foram essenciais tanto para os procedimentos quanto para a recuperação dela e continuam fazendo parte do tratamento”, explica.

Maissa também faz um alerta sobre a importância da doação contínua. “Muitas pessoas acreditam que a doação de sangue só é necessária em momentos de emergência, mas dentro dos hospitais ela é usada todos os dias. A Marina está aqui hoje graças às doações de pessoas que nem conhecemos, mas que salvaram a vida dela e de tantas outras crianças e adultos”, afirma.

Para ela, o gesto é simples e pode transformar realidades. “São cerca de 30 minutos do dia que salvam vidas. Principalmente no tratamento da leucemia, que atinge diretamente o sangue, a doação é fundamental. É um ato de amor que realmente faz a diferença. E neste tratamento da leucemia, a doação de sangue não é apenas um apoio, é o que sustenta a vida da criança durante todo o tratamento”, reforça a mãe.

Para o Dr. Vinícius Magalhães, a mobilização social em torno do Dia Internacional do Combate ao Câncer Infantil é uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre a doença e fortalecer a rede de solidariedade que sustenta o tratamento de milhares de crianças. “Quem já é doador deve manter a regularidade das doações e que aqueles que ainda não iniciaram podem procurar um hemocentro ou banco de sangue mais próximo. Doar sangue é um gesto simples, seguro e capaz de transformar diagnósticos difíceis em histórias de superação e vida”, pontua o médico.

Como doar

No Hospital Márcio Cunha, o agendamento para doação pode ser feito de segunda a sexta-feira, das 7h20 às 11h e das 13h30 às 15h, presencialmente na Unidade I, por telefone pelo número (31) 3829-9600 ou via WhatsApp pelos contatos (31) 99686-1060 e (31) 98480-8199. A doação também pode ser realizada de segunda a sábado, sendo aos sábados das 7h às 10h e, durante a semana, das 7h30 às 16h.

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