O que é a assistência humanizada ao parto?

Tempo de leitura: 6 minutos.

Conteúdo atualizado em 09/07/2021

Hoje em dia, temos visto com mais frequência, publicações nas redes sociais sobre parto humanizado, e antes de tudo, é importante esclarecer que, na verdade, o termo se aplica à assistência oferecida pela equipe de saúde durante o parto e não se trata de um tipo específico de parto ou via de nascimento.

Neste conteúdo, explicaremos mais sobre o tema. Confira!

O que é o parto humanizado?

É comum as pessoas fazerem associação deste termo com o ato de parir em casa, sem anestesia e na água. Entretanto, humanizar a assistência ao parto significa respeitar o protagonismo da mulher, a fisiologia do parto, o tempo do trabalho de parto, os sentimentos da mulher e de toda a família envolvida com o nascimento daquele bebê.

Além disso, há a preocupação com a saúde da mãe e do bebê em todos os momentos, pautado sempre na Medicina Baseada em Evidências (com condutas e procedimentos cujos benefícios sejam cientificamente comprovados). Isso vale para o parto em casa ou no hospital, e para o parto vaginal ou uma cirurgia cesárea com indicação clínica.

Por que a preocupação em promover o parto humanizado?

Políticas Públicas como a Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde, o Projeto Parto Adequado da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), assim como uma série de iniciativas da sociedade civil organizada vem buscando disseminar informações e promover a assistência humanizada ao parto e nascimento, com o intuito de reivindicar a qualidade da assistência obstétrica e neonatal do país, e buscar a garantia dos direitos da mulher e da criança a uma assistência respeitosa e digna.

E por que todo esse movimento? 

De acordo com o Ministério da Saúde, o índice recomendado pela OMS de partos cesárea é de até 15%. No Brasil, esse dado corresponde a 52%, sendo recordista deste tipo de parto no mundo. Na rede privada, o índice é ainda pior, sendo 82%, chegando a mais de 90% em algumas maternidades.

A intervenção deixou de ser um recurso para salvar vidas e passou, na prática, a ser regra. A cesárea, quando não é bem indicada, ocasiona riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê: aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe.

Quais são os benefícios de um parto humanizado?

Menos estresse no momento do parto

A mulher terá seu bebê em seu tempo, sem a pressão da equipe médica envolvida. Para isso, são propostas até mesmo algumas atividades para que elas façam durante o trabalho de parto, como:

  • Ouvir música de sua preferência;
  • Andar/dançar pelo ambiente;
  • Utilizar o banho de chuveiro ou piscina;
  • Massagem realizada pelo acompanhante;
  • Fazer movimentos podendo utilizar a bola, entre outros.

Mais tranquilidade para o recém-nascido

Em um parto humanizado, o recém-nascido não é submetido a algumas condições que também causam estresse, como o afastamento da mãe logo nos períodos iniciais e exposição a temperatura ambiente, considerada gelada para um bebê. 

No parto humanizado, ele sentirá menos desconforto, reduzindo inclusive a frequência de choro.

Reduz o risco de depressão pós-parto

Conforme explicado, o parto humanizado respeitar a posição da mulher enquanto protagonista de suas escolhas. Por essa razão, a confiança em si mesma será maior, justamente pelas suas decisões para o parto terem sido respeitadas. Consequentemente, os riscos relacionados ao surgimento da depressão pós-parto são reduzidos, além de aumentar a autoconfiança da mulher. 

Laço afetivo mais forte

O parto humanizado contribui ainda para a construção de um laço afetivo mais forte. Devemos levar em consideração que a mulher libera hormônios durante todo o trabalho de parto. Esses hormônios serão essenciais para a relação que será construída entre mãe e filho. E é justamente pelo parto que esse laço será fortalecido.

Dicas para um parto humanizado

Confira alguns dos pontos de atenção durante o parto humanizado:

  • Luz ― como o útero é um lugar escuro, o ideal é que a iluminação do ambiente seja mais fraca para não haver grande diferença para o bebê;
  • Conversa ― como os bebês têm capacidade de escuta, é importante dizê-los que eles são amados e bem-vindos;
  • Música ― a música pode diminuir a ansiedade e acalmar as mamães no momento do parto;
  • Corte do cordão umbilical ― caso seja do interesse da mamãe ou de algum acompanhante, é oferecida a oportunidade de realizarem o corte do cordão umbilical;
  • Equipe multiprofissional ― a mulher precisa ter plena confiança na equipe que a atende nesse momento.

Se você pretende ter filhos e/ou está gestando, informe-se! Procure fontes confiáveis e experiências positivas em torno do parto. 

Converse com profissionais e também contate outras mães. O ideal é levar todas as dúvidas para as pessoas que têm conhecimento sobre o tema, uma vez que trará mais segurança para a suas escolhas.

Por essa razão, procure profissionais que defendem e acreditam no mesmo que você e elabore um Plano de Parto! Você precisa estar bem informada e empoderada.

Conforme vimos, a escolha de uma equipe que também acredita no parto humanizado e que gera a confiança na mulher deve ser um pontos de atenção. 

Para acessar outros conteúdos relacionados aos cuidados na gestação, continue no blog e confira a categoria gerar.

Referências:

CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SANTA CATARINA (COREN SC). Humanização do Parto: assistência humanizada ao parto e nascimento busca devolver à mulher o seu protagonismo. 2016. Disponível em: <http://www.corensc.gov.br/2016/01/13/humanizacao-do-parto/>. Acesso em: 22 Abr. 2021.

INSTITUTO NACIONAL DE SAÚDE DA MULHER, DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DA FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (IFF FIOCRUZ). O que é Parto Humanizado?. 2018. Disponível em: <https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/o-que-e-parto-humanizado/>. Acesso em: 22 Abr. 2021.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE). A humanização na assitência ao parto e ao nascimento. 2018. Disponível em: <https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/download/236334/29731>. Acesso em: 22 Abr. 2021.

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