Autismo: Saiba o que é, sintomas, causas e formas de tratamento

Conteúdo atualizado em: 06/05/2022

Tempo de leitura: 5 minutos.

O autismo é caracterizado pela dificuldade de comunicação e de estabelecer interações sociais. A condição que atinge cerca de 70 milhões de pessoas a nível mundial, das quais 2 milhões são brasileiras, pode também causar comportamentos repetitivos e restritos.

Embora ainda não seja definido o número de pessoas com autismo existente no Brasil, a OMS – Organização Mundial da Saúde estima que a cada 160 crianças no mundo inteiro, 1 esteja dentro do Espectro Autista, o TEA.

Você sabe como identificar os sinais de autismo? Neste post trazemos uma visão detalhada das características do autismo, além do impacto causado pelo transtorno na vida de uma pessoa. Continue lendo e veja a importância do acompanhamento médico regular no autismo!

O que é o autismo?

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma variação do desenvolvimento neurológico, caracterizado por dificuldades de comunicação e interação social e pela presença de comportamentos e/ou interesses repetitivos e restritos.

A apresentação é muito variável, por isso chamamos de espectro. Além disso, Autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento multifatorial, suas causas envolvem questões genéticas e ambientais.

Quais são as principais características do autismo?

Uma pessoa com autismo apresenta sinais nos primeiros meses de vida. Essas alterações são mais evidentemente percebidas entre 12 e 24 meses. Porém infelizmente a média de idade do diagnóstico de autismo no Brasil é de 4 a 5 anos de idade.

Alguns sinais manifestados e características apresentadas pela criança a partir dos dois meses de vida podem chamar a atenção dos pais e do pediatra que acompanha a criança, de modo que fiquem atentos para um possível quadro de autismo. Confira:

  •     perder habilidades já adquiridas, como balbucio, contato ocular ou sorriso social;
  •     não se voltar para sons, ruídos e vozes no ambiente;
  •     não apresentar sorriso social;
  •     baixo contato ocular e deficiência no olhar sustentado;
  •     baixa atenção à face humana (preferência por objetos);
  •     demonstrar maior interesse por objetos do que por pessoas;
  •     não seguir objetos e pessoas próximos em movimento;
  •     apresentar pouca ou nenhuma vocalização;
  •     comunicação por gestos no lugar de palavras;
  •     não aceitar o toque;
  •     não responder ao nome;
  •     repetir palavras ou frases memorizadas;
  •     baixa frequência de sorriso e reciprocidade social, bem como restrito engajamento social (pouca iniciativa e baixa disponibilidade de resposta)
  •     interesses não usuais, como fixação em estímulos sensório-viso-motores;
  •     fazer referência a si mesmo como terceiro (ex.: você quer brincar em vez de eu quero brincar);
  •     incômodo incomum com sons altos;
  •     distúrbio de sono moderado ou grave;
  •     lentidão ou ausência no desenvolvimento da linguagem;
  •     irritabilidade no colo e pouca responsividade no momento da amamentação;
  •     preferência por determinadas atividades;
  •     intolerância a ruídos.

Quais são as causas e os sintomas do autismo?

Não existe uma conclusão definida e científica para as causas do autismo, mas os intensos estudos já realizados revelaram possíveis combinações de fatores capazes de desencadear o problema, como a genética e os agentes externos como poluição do ar, infecções causadas por vírus, complicações na gestação, contaminação por mercúrio, sensibilidade a vacinas e alterações no trato digestório.

O fato é que se sabe que os genes podem estar diretamente envolvidos nos eventos causadores do autismo. Com as possíveis alterações, uma criança pode ter o desenvolvimento do cérebro afetado, dificultando a comunicação entre os neurônios.

De modo geral, o que se sabe que não existe uma causa única, considerando as anormalidades percebidas na estrutura ou função cerebral de uma criança autista, comparado ao de uma criança não autista.

Quando se pensa nas causas do desenvolvimento do autismo é preciso considerar os possíveis fatores de risco:

  • crianças no sexo masculino estão mais propensas a desenvolver o autismo cerca de 5 vezes mais que as do sexo feminino;
  • o risco de uma criança nascer autista em uma família com histórico do transtorno é maior;
  • crianças que já apresentam algum problema neurológico como a epilepsia, por exemplo, têm mais chances de desenvolver o autismo;
  • a maternidade e paternidade tardias aumentam o risco de uma criança se desenvolver autista até os 3 anos de idade.

Uma criança autista pode apresentar sintomas diversos, associados a brincadeiras e comportamentos, mas sempre atípicos e incondizentes com crianças da mesma idade ou situação do momento. Veja alguns desses sintomas:

Nas brincadeiras

  • Não interage em nem imita as ações das outras crianças
  • Cria as próprias brincadeiras de modo solitário e ritualista
  • Não participa de brincadeiras que envolve o faz de conta e imaginação

Nos comportamentos

  • Os acessos de raiva são intensos
  • Fixação por um mesmo assunto ou tarefa
  • Dificuldade de prestar a atenção
  • Interesses escassos
  • Pode ser hiperativo ou passivo ao extremo
  • Agressividade consigo mesmo ou com pessoas em volta
  • Movimentos e comportamento recorrentemente repetitivo

Como é feito o diagnóstico do autismo?

Importante salientar que quanto mais cedo for o diagnóstico, maiores são as probabilidades de os pais compreenderem a criança e oferecer a ela os recursos disponíveis, para uma melhor adaptação e um melhor desenvolvimento, visando um acompanhamento adequado.

Quanto antes os profissionais especializados forem envolvidos, mais rápido serão iniciados os tratamentos e terapias em caso de diagnóstico positivo. A princípio o médico observará o comportamento da criança em busca de sinais característicos que comprometem ou retardam seu desenvolvimento.

Diante das suspeitas, o próximo passo será realizar exames específicos de acordo com os critérios do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, que estabelece que uma criança será diagnosticada com autismo caso apresente pelo menos 6 sintomas do considerados clássicos do transtorno.

Entre os exames estão:

  • Avaliação auditiva
  • Teste para detectar a presença de chumbo no sangue
  • Teste de triagem para autismo

Como não existem testes biológicos para detecção do autismo, contar com profissionais experientes e acostumados a lidar com casos semelhantes é de grande importância. É por isso que uma equipe multidisciplinar é fundamental nesse momento — a percepção de profissionais de áreas diferentes pode ajudar no fechamento mais rápido do diagnóstico, por meio de um exame completo físico e neurológico.

Quais são as formas de tratar a condição?

A partir do diagnóstico, a criança pode ser encaminhada para as terapias: fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicóloga, que geralmente irão atuar com a metodologia de análise comportamental aplicada (ABA) ou Denver, que visam melhorar habilidades da vida diária e sociais, estimular comportamentos ajustados e manejo adequado das emoções para o autista, de modo que ele possa ampliar seu repertório comportamental.

Um acompanhamento pedagógico também é indispensável, pois tanto os pais quanto a escola devem trabalhar juntos para uma melhor adaptação da criança à sua realidade. O fato de uma criança apresentar-se no espectro autista não quer dizer que ela é incapaz de desenvolver talentos. Na verdade, o autista apenas vê o mundo sob outras perspectivas.

É importante que ela seja estimulada precocemente a interagir, respeitando o seu momento e disponibilidade para se envolver. O acompanhamento médico e multidisciplinar é fundamental para monitoramento da involução ou evolução de cada caso.

O autismo possui diversas linhas para intervenção, embora a criança não saia do espectro autista. Mas o autismo não deve ser visto como uma doença impeditiva e excludente, já que uma criança diagnosticada com autismo vive dentro dessa neurodiversidade que somos. A diferença é que com um diagnóstico precoce e o acompanhamento de atenção primária, os pais, responsáveis e familiares podem oferecer precocemente melhores condições de vida e bem-estar à criança.

Por isso, o apoio de uma equipe multidisciplinar é tão importante. Eles são responsáveis não só pelo diagnóstico, mas por acompanhar a criança ao longo da infância, com objetivo de melhorar sua qualidade de vida e suas potencialidades do desenvolvimento.

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Referências:

ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS DO AUTISTA. Transtornos do espectro do autismo. 2017. Disponível em: <https://www.ama.org.br/site/autismo/definicao/> Acesso 27 de Abr. 2022. 

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo. 2021. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/02-4-dia-mundial-de-conscientizacao-sobre-o-autismo/> Acesso 27 de Abr. 2022. 

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Linha de cuidado para a atenção às pessoas com transtornos do espectro do autismo e suas famílias na rede de atenção psicossocial do sistema único de saúde. 2015. Disponível: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/linha_cuidado_atencao_pessoas_transtorno.pdf> Acesso 27 de Abr. 2022. 

SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Protocolo Clínico de Acolhimento. 2015. Disponível em: <https://www.saude.sc.gov.br/index.php/documentos/atencao-basica/saude-mental/protocolos-da-raps/9209-espectro-autista/file> Acesso 27 de Abr. 2022. 

SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DO CEARÁ. Autismo: quanto mais cedo o diagnóstico, melhores são as possibilidades de tratamento. 2019. Disponível em: <https://www.saude.ce.gov.br/2019/10/18/autismo-quanto-mais-cedo-o-diagnostico-melhores-sao-as-possibilidades-de-tratamento/> Acesso 27 de Abr. 2022. 

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA.Transtorno do Espectro do Autismo. 2019. Disponível: <https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/21775c-MO_-_Transtorno_do_Espectro_do_Autismo.pdf> Acesso 27 de Abr. 2022. 

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