Descubra a diferença entre intolerância à lactose e alergia ao leite

Conteúdo atualizado em 20/12/2021 

Tempo de leitura: 5 minutos

A intolerância à lactose é um problema que tem afetado cada vez mais pessoas e que, muitas vezes, pode ser confundida com a alergia ao leite. No entanto, são condições distintas, em sintomas e desdobramentos.

A lactose é o açúcar presente no leite e seus derivados, e requer uma enzima chamada lactase para a sua quebra (em glicose e galactose) e posterior absorção pelo organismo. A glicose e a galactose desempenham um papel importante em nossas células, como fontes de energia.

O objetivo deste post é mostrar as diferenças entre intolerância e alergia ao leite (e seus derivados). Continue lendo e veja como lidar com cada condição e manter a saúde em dia!

Qual a diferença entre intolerância à lactose e alergia ao leite?

A melhor forma de diferenciar uma condição da outra é entendendo como o organismo funciona nos dois casos. Para isso, trouxemos uma descrição das principais características de cada condição. Confira!

Intolerância à lactose

É caracterizada pela ausência total ou parcial da lactase, enzima responsável pela na digestão da lactose, no intestino delgado. Como resultado, ao ingerir o leite e seus derivados, o organismo é incapaz de seguir com a digestão de forma adequada, apresentando sintomas como:

  • Desconforto abdominal;
  • Gases;
  • Cólicas;
  • Náuseas;
  • Diarreia;
  • Ardência anal e assaduras – resultado da presença de fezes mais ácidas.

Os sintomas prevalentes e a gravidade deles depende da quantidade de lactose ingerida e da quantidade que cada um consegue tolerar.

A intolerância à lactose também pode ser decorrente de alguma alteração na parede intestinal causado, por exemplo, pelo uso excessivo de antibióticos ou alguma inflamação, bem como pela síndrome do intestino irritável, pela doença de Crohn e pela doença celíaca. Nesses casos, a intolerância pode ser temporária.

O problema é desencadeado quando a lactose chega intacta ao intestino grosso e é fermentada pelas bactérias ali presentes. Os ácidos e gases produzidos por essa fermentação são absorvidos em sua maior parte pelo organismo. No entanto, a parte que não é absorvida provoca os sintomas da intolerância. 

É fundamental que o diagnóstico (por meio de exames laboratoriais) seja feito rapidamente, pois, um diagnóstico tardio e a falta de tratamento no tempo devido podem trazer consequências graves, como perda de peso, desequilíbrio da microbiota intestinal e retardo do crescimento, em crianças.

Alergia ao leite

Mais comum durante os três primeiros anos de vida, caracteriza-se pela reação do sistema imunológico quando o organismo absorve a proteína do leite de vaca.

Os sintomas mais comuns são:

  • Vômitos;
  • Dores no abdômen;
  • Gases;
  • Sangue nas fezes;
  • Diarreia e dermatites.

Em casos mais extremos, pode ocorrer uma reação alérgica grave chamada de anafilaxia, que envolve alterações na respiração, nos batimentos cardíacos e em outras funções do organismo.

O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais e observações do comportamento do organismo mediante a suspensão e reintrodução de leite e de seus derivados na alimentação.

Como saber se tenho intolerância à lactose ou alergia ao leite?

Causadas por um mesmo alimento (o leite), a intolerância à lactose e a alergia ao leite são frequentemente confundidas. No entanto, é necessário diferenciá-las para que tenhamos o devido acompanhamento médico e nutricional.

Pelos relatos e exames, um profissional especialista será capaz de identificar qual é o tipo de problema. Para resumir, a intolerância à lactose se refere à incapacidade do organismo de digerir o açúcar, formado pela lactose, presente no leite. Já a alergia ao leite consiste na reação à proteína do leite e seus derivados, ocasionando os sintomas já mencionados.

Como tratar ambas as condições?

Se a intolerância à lactose for detectada, reduza o consumo de leite e de seus derivados, até chegar ao ponto em que a lactose seja consumida em uma quantidade baixa o suficiente a ponto de não causar problemas à saúde. Procure um nutricionista para ajudá-lo a estruturar um plano alimentar que contenha os nutrientes necessários para você.

Já para a alergia ao leite, o tratamento requer a completa retirada do leite de vaca da dieta. É necessário que a mãe, em caso de amamentação, também exclua o leite de vaca de sua dieta, para evitar uma possível transmissão para o bebê.

Vale reforçar a importância da leitura dos rótulos dos alimentos, com atenção para a lista de ingredientes, pois, além dos derivados diretos do leite (como queijos, iogurtes, creme de leite, coalhada, requeijão), alguns produtos que nem imaginamos podem conter leite em sua composição (achocolatados, pães, biscoitos, doces, e até alguns medicamento, dentre outros).

Alguns possíveis substitutos na alimentação são os “extratos vegetais” provenientes de sementes oleaginosas e cereais, tais como a castanha do Pará, a castanha de caju, a macadâmia, amêndoas, o coco, aveia e o arroz. Além do sabor agradável e da boa consistência, estas fontes contêm fibras e gorduras “boas” (provenientes das oleaginosas) e outros nutrientes. 

O acompanhamento com nutricionista é primordial para quem apresenta quadros de intolerância à lactose ou alergia ao leite. Com uma alimentação adequada, em ambos os casos, o leite e seus derivados podem ser substituídos por alimentos, de diferentes grupos, que irão garantir a oferta adequada dos nutrientes. 

Para os intolerantes à lactose, o nutricionista pode introduzir fórmulas alimentares com proteína hidrolisada ou fórmula de aminoácido, para bebês. Muitos produtos já estão disponíveis no mercado, para os intolerantes à lactose, e trazem na embalagem a observação de “zero lactose”.

No entanto, evite adotar uma dieta por conta própria, sem saber ao certo qual a condição do organismo.

Com um diagnóstico e o apoio da equipe de saúde é possível tratar as duas condições e garantir uma vida saudável. 

Assim, quem sofre com essas condições deixará de ter medo de ingerir alimentos e passará a apreciar novos sabores sem o risco de efeito negativo no organismo. 

Gostou do post? Que tal aproveitar a visita para conferir nossos conteúdos sobre alimentação e saúde e ficar por dentro de diversas dicas para uma dieta rica e nutritiva!

Referências:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ALERGIA E IMUNOLOGIA. Intolerância à lactose não é alergia ao leite. Disponível em: <https://asbai.org.br/intolerancia-a-lactose-nao-e-alergia-ao-leite-3/>. Acesso em: 06 Dez. 2021

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Intolerância à lactose. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/intolerancia-a-lactose/>. Acesso em: 06 Dez. 2021]

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Qual a diferença entre intolerância a lactose e alergia a leite?. 2016. Disponível em: <https://aps.bvs.br/aps/qual-a-diferenca-entre-intolerancia-a-lactose-e-alergia-a-leite/>. Acesso em: 06 Dez. 2021

SECRETARIA DE SAÚDE DO GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ. Protocolo clínico para pacientes do programa de alergia à proteína do leite de vaca. 2019. Disponível em: <https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/9/2019/08/protocolo_aplv_2_edicao_2019_.pdf>. Acesso em: 06 Dez. 2021

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Alergia ao leite de vaca. Disponível em: <https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/doencas/alergia-ao-leite-de-vaca/>. Acesso em: 06 Dez. 2021

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Alergia ao leite de vaca. Disponível em: <https://www.fcm.unicamp.br/adolescentes/aprenda/alergia-ao-leite-de-vaca>. Acesso em: 06 Dez. 2021

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Entenda a diferença entre intolerância e alergia alimentar. 2019. Disponível em: <https://www.medicina.ufmg.br/entenda-a-diferenca-entre-intolerancia-e-alergia-alimentar/>. Acesso em: 06 Dez. 2021

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