Exterogestação: O que é e qual a importância deste período para o desenvolvimento do bebê

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Você já ouviu falar na exterogestação? O prefixo “extero” significa “externo”, “fora”, ou seja, a exterogestação é a gestação ocorrida fora do útero. De acordo com essa teoria, os primeiros meses de vida do bebê, fora do útero, podem ser considerados parte da gestação. 

Neste conteúdo, explicamos um pouco mais sobre o tema. Continue a leitura!

O que é exterogestação?

A teoria da exterogestação foi criada pelo antropólogo Ashley Montagu, e disseminada pelo pediatra Harvey Karp, diz que os três primeiros meses de vida do bebê depois do nascimento podem ser considerados uma extensão do desenvolvimento que começou na barriga da mãe, na qual os pais deverão oferecer conforto à criança com base na recriação do ambiente uterino. É preciso levar em consideração que, durante nove meses, o bebê esteve em um local muito confortável e em temperatura e textura específicas.

O bebê é completamente dependente, sente medo, insegurança e gostaria de voltar ao útero. Por essa razão, a o principal benefício da exterogestação é a redução do estresse do recém-nascido, uma vez que ele terá condições semelhantes com a fase anterior de sua vida, com a recriação do aconchego do útero. Consequentemente, há uma redução das cólicas intestinais, além do fortalecimento dos laços entre o bebê e os pais.

Nesse contexto, o período de transição é feito de forma mais segura para a criança, possibilitando ainda que os pais tenham mais tempo para adaptar os cuidados necessários com o recém-nascido. 

É possível ativar o reflexo calmante do bebê, com algumas técnicas, que devem ser executadas de maneira correta e segura na seguinte ordem: 

1º Embrulhar

Fazer um “pacotinho” e fazer com que o bebê fique apertado o faz sentir como se estivesse no ventre da mãe, evita que ele se debata e excite de forma involuntária (reflexo de Moro). Você pode manter o pacotinho perto do corpo, ou embrulhá-lo com um sling e deixa-lo em contato com a sua pele.

2º Segurar de lado ou bruços

Ao colocar a cabeça do bebê em uma das mãos e o corpinho apoiado no braço, junto ao corpo, estamos simulando a posição feral. Essa posição evita movimento dos braços e pernas e impede que ele sinta medo de uma possível queda.

Sons (ruído branco)

Certamente você já deve ter ouvido alguma mamãe ou papai reproduzir o som “shhhh”. Trata-se de um sinal parecido com aquele emitido no útero, da passagem do sangue nas artérias para que o bebê possa ficar mais calmo. É o que mais acalma o bebê e faz com que ele preste atenção em você. O ideal é posicionar o bebê de 5 a 10 cm da sua boca e fazer o ruído alto, até chegar ao nível do choro do bebê, de forma firme, segura e persistente. Além disso, já existem aplicativos que reproduzem sons como esse, facilitando o cuidado com a criança.

4º Balançar

Movimentos ritmados e repetidos, no sentido vertical, também acalmam a criança pela simulação das condições uterinas. Pode-se usar: slings, redes, bolas de pilates.

5º Sugar

A sucção estimula o cérebro a liberar substâncias que acalmam, relaxam e até diminuem a dor durante procedimentos dolorosos. No útero, eles praticavam essa habilidade e ficaram com as mãos próximas à boca. Portanto, essa é mais uma razão para investir na amamentação em livre demanda. Além de suprir de forma adequada às necessidades do recém-nascido, aumentar o contato com a mãe, trazendo conforto e aconchego.

Além das técnicas apresentadas, confira mais algumas dicas úteis para criar um bom ambiente ao recém-nascido em seus primeiros dias de vida.

Iluminação

Dentro do útero não há fonte de luz. Por essa razão, deve-se optar por pouca luminosidade em grande parte do tempo.

Sono

Durante os primeiros meses de vida, essa será a principal atividade realizada por grande parte dos bebês. Portanto, deixe o recém-nascido confortável para dormir, se atentado para manter pouca luminosidade.

Toque

O tato é um dos primeiros sentidos desenvolvidos pelo bebê, e o ideal é que seja estimulado a todo momento. Isso é possível por meio de carinhos, abraços, massagens, entre outros, além de deixá-lo próximo ao peito para sentir o batimento cardíaco dos cuidadores.

Conforme apresentado, a exterogestação tem como principal objetivo deixar o bebê mais calmo em seus primeiros meses, além de reproduzir o aconchego que ele tinha no útero da mãe. No entanto, se ele estiver muito agitado ou estressado, o ideal é procurar o pediatra para entender se existe um motivo para esse desconforto.

Além disso, também precisamos nos preocupar com a saúde da mamãe. Por essa razão, continue no blog e entenda um pouco mais sobre o que é blues puerperal

Referências:

PERILO, T.V.C. Tratado do Especialista em Cuidado Materno Infantil com Enfoque em Amamentação. Belo Horizonte: Mame Bem, 2019. 426p.

PSYCHOLOGY TODAY. The Single Most Important Thing to Know About a Baby. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/us/blog/moral-landscapes/201808/the-single-most-important-thing-know-about-baby. Acesso em: 22 DEZ. 2020.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. O corpo e a vida: Uma etnografia dos modos sensíveis de criação infantil. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/170434/001053106.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 22 DEZ. 2020.

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