Como identificar e enfrentar a violência escolar

Tempo de leitura: 7 minutos.

Diversos fatores podem desencadear episódios de violência escolar, sendo o bullying uma das formas mais comuns de agressão entre crianças, adolescentes e jovens. É uma situação que tem gerado discussões e debates em busca de soluções para minimizar o problema. 

Qualquer unidade educacional tem sua existência fundamentada no desenvolvimento e aprendizagem, colaborando para o crescimento intelectual do indivíduo. É um lugar que deve transmitir a sensação de proteção e segurança, mas elementos externos podem contribuir para internalizar a violência. 

O objetivo deste post é refletir sobre o crescimento da violência escolar e entender as motivações para esse cenário. Continue lendo e veja o que é esse tipo de violência, quais são as possíveis causas e formas de agressão, além da importância dos professores na identificação do o bullying!

O que é a violência escolar?

Toda manifestação e atos de comportamentos agressivos e antissociais, que estimulam episódios de conflitos interpessoais e práticas não convencionais ou condizentes com o ambiente educacional de desenvolvimento e aprendizagem, denomina-se violência escolar.

Quais as causas da violência nas escolas?

A violência escolar pode ser proveniente de diversos contextos, desde a exclusão social, até a violência imposta nos meios de comunicação e ausência de limites no comportamento social, que pode também estar relacionado à educação no ambiente familiar. 

Muitos estudiosos buscam elencar as principais causas, chegando a uma lista que pode ser detalhada para encontrar as pequenas nuances do dia a dia que vão transformando o comportamento e emoções das crianças, adolescentes e jovens, dentro da escola.

Assim, entre as causas mais evidentes, estão:

  • Carência afetiva;
  • Criação sem limite doméstico;
  • Influência de filmes e jogos;
  • Maus tratos em casa;
  • Pais desempregados;
  • Privação de alimentos;
  • Uso de drogas.

Quais as formas de agressão entre alunos? 

Embora seja uma ocorrência de abrangência ampla, os indivíduos que mais figuram em eventos de violência escolar estão entre 10 e 21 anos de idade. Os atos de violência, ameaças, agressões e abusos, podem dar vasão a diversas ações de danos ao patrimônio, marginalização e discriminação. 

A violência escolar pode se manifestar em circunstâncias de caráter psicológico, físico, material e virtual. Uma das formas mais populares é o bullying, um tipo de maltrato repetitivo, que vai do físico ao verbal, em escalas crescentes representado por brincadeiras de mau gosto, chacotas e provocações. 

Com práticas agressivas e intimidantes, quem pratica o bullying deseja estabelecer o domínio da situação, subjugando a outra parte. No ambiente escolar, a violência desse ato, provoca sérios danos no comportamento da vítima, comprometendo tanto o seu rendimento acadêmico, quanto a vida em sociedade.

Qual a importância dos professores na identificação do bullying?

Os professores têm um papel fundamental na diminuição, contenção e mediação desse tipo de violência escolar, mas nem todos são capacitados para distinguir uma brincadeira de um ato de bullying

Nesse contexto, é essencial que tanto os professores, quanto os profissionais inseridos no ambiente escolar sejam capacitados para identificar situações de bullying. Isso quer dizer que, especialmente os professores, precisam ter conhecimento das características que detectam atitudes e comportamento desse tipo de violência. 

Assim, se o professor estiver apto para identificar o bullying, terá condições de, ao menor sinal, adotar medidas preventivas. É possível agir antes que o bullying aconteça, e isso pode ser feito com medidas que incluem um conjunto de práticas, tais como: 

  • Estimular o protagonismo de crianças e jovens;
  • Inserir o bullying como tema dentro da sala de aula;
  • Criar exemplos de situação que tragam a reflexão dos alunos sobre suas vivências e entendimento do que é o bullying;
  • Preparar todos os alunos para identificação do bullying e como podem se defender;
  • Estimular jogos e atividades para preencher o tempo ocioso dos alunos;
  • Identificar alunos de destaque no que se refere à valorização e respeito das diferenças, para que sejam exemplos positivos;
  • Promover diálogos constantes sobre a importância de respeitar os valores individuais;
  • Conscientizar as crianças, adolescentes e jovens sobre os atos inadequados, contrários à maioria, além das possíveis consequências e penalizações que podem resultar desse comportamento;
  • Promover momentos de integração, valorizando os potenciais individuais e o trabalho em grupo. 

Essas são apenas algumas ações que os professores podem adotar, seja para episódios que sugerem a prática do bullying ou para fatos concretos. Para isso, cada educador deve ter um embasamento teórico que possibilite tanto a identificação, quanto a forma de lidar com cada evento.

Qual a relação do bullying com a saúde física e mental?

Os indivíduos que sofrem bullying na escola são mais propensos a não se sentirem bem e confortáveis no ambiente. Eles começam a se comportar de forma diferente e isolada, mantendo um distanciamento, o que pode ser uma forma de proteção ou de dor emocional. 

Uma vítima desse tipo de violência tende a querer abandonar os estudos ou apresenta um baixo desempenho no aprendizado. O bullying afeta o estado psicológico, abalando a saúde física e mental. 

Alguns comportamentos costumam mudar em vítimas de bullying, como ter ataque de pânico na hora de ir para escola, sono agitado, alterações repentinas no humor, desinteresse, agressividade, busca de novas amizades fora da escola, criar pretextos para não ir à escola. 

Muitas crianças e jovens chegam a ter episódios de vômito ou deixam de se alimentar corretamente, associados à lembrança das agressões sofridas. Assim, com o tempo, começam a apresentar sintomas graves que afetam a saúde física e emocional em um quadro notável de baixa autoestima e depressão. Automutilação e até o suicídio se enquadram como possíveis consequências do bullying.

Como você pode ver, a violência escolar compõe um cenário complexo de alteração comportamental, social e emocional em crianças, adolescentes e jovens. A escola tem uma responsabilidade grande de preparar seus profissionais e alunos para uma atitude preventiva e conciliadora diante dos conflitos, a fim de minimizar ao máximo esse fenômeno. 

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Referências:

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