Entenda o que é disfagia e seus riscos

Conteúdo atualizado em 25/08/2021

Tempo de leitura: 10 minutos.

A terceira idade traz experiência e sabedoria, mas também a necessidade de cuidados preventivos com a saúde. Alguns problemas, comuns em idosos, podem afetar e interferir na qualidade de vida, como é o caso da disfagia.  

Considerada, ao mesmo tempo, uma doença e um sintoma, a disfagia compromete o processo de deglutição. Enquanto doença, pode causar sérias alterações na saúde do indivíduo, por outro lado, é sintoma de um quadro mais amplo, que pode surgir, sobretudo, em pessoas idosas. 

Mas, afinal de contas, o que define a disfagia? Neste post você vai entender quais são os tipos, causas, sintomas e consequências do problema. Continue lendo para saber sobre a importância do acompanhamento médico familiar na prevenção de males e doenças!

O que é a disfagia?

Trata-se da dificuldade para engolir, o que compromete o transporte do alimento entre a boca e o estômago, mais comum entre pessoas idosas ou com problemas neurológicos, bem como em indivíduos com tumores ou traumas na boca ou na garganta. 

Nessa condição, a pessoa pode sofrer engasgos, com regurgitação de líquidos pelas cavidades nasais. Nos idosos, a disfagia está conectada à perda da força muscular, redução da velocidade de mastigação, além da diminuição da precisão e da coordenação dos movimentos.

Quais são os tipos de disfagia?

A disfagia pode ser de dois tipos: 

  • disfagia orofaríngea: condição que afeta a cavidade bucal e a faringe, causando dificuldade na hora de engolir;
  • disfagia esofágica: condição que acarreta a dificuldade de passagem do alimento após o processo de deglutição.

Como surge o problema?

Entre os tipos de disfagia, diversos fatores podem desencadear o sintoma. Veja! 

Na disfagia orofaríngea por afetar especialmente os idosos, além do processo natural de envelhecimento, outras causas de caráter neuromuscular e/ou neurodegenerativo podem dar origem a doença: 

  •  Acidente vascular cerebral (AVC);
  • Doença de Alzheimer;
  • Doença de Parkinson;
  • Doença de Huntington;
  • Esclerose múltipla;
  • Paralisia cerebral.

Já na disfagia esofágica, os sintomas podem estar associados a causas orgânicas ou funcionais: 

  • Acalasia – distúrbio de motilidade esofágica;
  • Alterações anatômicas;
  • Divertículo de Zenker;
  • Esclerodermia – doença inflamatória crônica;
  • Esofagite eosinofílica;
  • Espasmo esofágico;
  • Estenose péptica;
  • Refluxo gastroesofágico;
  • Tumor do esôfago.

Quais são os sintomas e consequências da disfagia?

Entre os sintomas mais comuns da disfagia, destacam-se:

  • Dificuldade de mastigar, preparar e manter o alimento dentro da boca;
  • Tempo prolongado para engolir;
  • Necessidade de engolir várias vezes para que o alimento, o líquido ou a saliva desçam pelo esôfago;
  • Restos de comida dentro da boca após engolir;
  • Dor ao engolir;
  • Sensação de alimento preso na garganta;
  • Escape de alimento pelo nariz durante a alimentação;
  • Mudança do tom de voz após engolir;
  • Mdança da cor da pele durante ou após a alimentação (palidez / cianose ou “pele roxa”);
  • Tosse ou pigarro constante durante a alimentação;
  • Engasgos frequentes durante as refeições ou ao deglutir saliva;
  • Falta de ar;
  • Perda de peso;
  • Pneumonias aspirativas;
  • Falta de interesse em se alimentar;
  • Necessidade de mudanças na consistência dos alimentos.

Ao comprometer a deglutição, a disfagia pode provocar complicações sérias e desencadear problemas ainda maiores:

  • Nutricionais – a alimentação se torna deficientes podendo ocasionar quadros de desnutrição, desidratação e emagrecimento;
  • Pulmonares – durante a alimentação há um risco de o indivíduo aspirar o alimento indo direto aos pulmões, acarretando pneumonias aspirativas, doenças pulmonares crônicas, podendo levar, inclusive, à morte;
  • Psicossociais – com receio de sofrer constrangimentos durante a alimentação, pessoas que sofrem de disfagia deixam de comparecer aos compromissos e participar de eventos, o que provoca isolamento e dificuldades no convívio social.

Como tratar a disfagia?

A disfagia, por ser um distúrbio de alta complexidade, requer a atuação de uma equipe multidisciplinar, e pode envolver medidas fonoterápicas, clínicas ou cirúrgicas. Nesse contexto participam profissionais como médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, e enfermeiros. A união dos conhecimentos de cada profissional garantirá a eficiência no cuidado e a reabilitação do paciente disfágico.

O médico realiza a prescrição da sonda, bem como o seu tipo (nasoentérica, nasogástrica e gastrostomia), indica medicamentos que irão atuar no sistema nervoso central, no sistema nervoso periférico, no sistema muscular, na sensibilidade orofaríngea, na produção de saliva e se necessário solicitar intervenção cirúrgica, tendo em vista que cada paciente terá um tratamento específico.

O nutricionista atua prevenindo a desnutrição, desidratação, por meio da definição da melhor dieta a ser administrada perante avaliação de cada caso. Esse profissional atua em conjunto com o fonoaudiólogo em pacientes que estão em processo de retirada de sonda, por exemplo. O fonoaudiólogo indica a consistência dos alimentos que o paciente pode ingerir e o nutricionista, por sua vez, irá realizar a análise antropométrica e acompanhar a aceitação de dieta oral do paciente por meio do registro alimentar, tendo em vista o ganho nutricional.

As avaliações dos enfermeiros baseiam-se em resultados satisfatórios, fornecendo subsídios para os demais profissionais, vale salientar que este profissional permanece durante todo o tempo com o paciente, colaborando com a qualidade da assistência e saúde do mesmo.

O psicólogo atua diretamente no enfrentamento da doença, tanto pelo paciente, quanto pelos familiares. Desta forma este profissional oferece e desenvolve atividades com foco na prevenção, promoção e recuperação tanto da saúde física quanto mental do paciente, estes fatores psicológicos aprimorados fortalecem a saúde e reduzem o risco de adoecimento.

Entretanto, é determinante que o paciente seja acompanhado por um fonoaudiólogo, profissional habilitado para avaliar a deglutição orofaríngea. investigar o grau e nível da disfagia de maneira cautelosa, na tentativa de eliminar riscos de broncoaspiração, contribuindo desta forma na redução de complicações que acometem o funcionamento do sistema respiratório, e a ingesta hídrica e nutricional. A atuação fonoaudiológica se torna imprescindível também pela possibilidade de reintroduzir dieta oral, devolvendo o prazer alimentar ao paciente.

A condição disfágica apresenta três fases de surgimento em ordem cronológica: 

  • Aguda – pode surgir de repente devido à obstrução do esôfago por um corpo estranho;
  • Crônica – forma progressiva;
  • Intermitente – com interrupções que exigem investigação mais detalhada. 

Pode ser que o profissional fonoaudiólogo recomende instruções de comportamento durante a alimentação, como:

  • Comer sem pressa;
  • Mastigar bem os alimentos;
  • Adaptar ao máximo a prótese dentária;
  • Manter a postura ereta e confortável;
  • Evitar distrações na hora da alimentação;
  • iInserir na dieta alimentos pastosos e líquidos para diminuir a incidência de engasgos. 

O uso de medicações e a aplicação de toxina botulínica para diminuir a quantidade de saliva também podem ser indicados, bem como, nos casos mais extremos, a intervenção cirúrgica. 

Consistências de alimentação

Mudanças na dieta podem ser sugeridas pelo fonoaudiólogo a fim de facilitar a deglutição e evitar sintomas mais agravados. Sabe-se que alimentos líquidos, por fluírem rapidamente, podem ocasionar escape para faringe em pacientes disfágicos. Por outro lado, alimentos sólidos requerem mais força dos músculos orofaríngeos. Caso esta força esteja comprometida, existe o risco da permanência de resíduos de alimentos em recessos faríngeos após a deglutição.

Para garantir uma alimentação segura, o fonoaudiólogo orienta pacientes com dificuldade de deglutição a ingerirem os alimentos nas consistências mais adequadas para cada caso. São elas:

  • Líquida: composta por líquidos finos.
  • Pastosa: A preparação é feita com alimentos liquidificados e/ou amassados.
  • Branda: é formada por alimentos bem cozidos, com pedaços pequenos, favorecendo assim a mastigação e digestão.
  • Sólida: Mantém os alimentos na consistência normal, com texturas variadas e que requerem mastigação eficiente.

Além disso, existem produtos industrializados para facilitar a modificação de consistências dos alimentos como os espessantes alimentares; que são substâncias em forma de pó que modificam a textura e a consistência dos alimentos. Por não alterarem o sabor dos alimentos, os espessantes podem ser utilizados em refeições doces ou salgadas.

A melhor forma de tratamento da disfagia é adotar os cuidados primários de prevenção e  evitar que o problema se desenvolva. Com o acompanhamento médico familiar para a saúde do idoso é possível identificar precocemente as eventuais ocorrências durante a deglutição. 

Se você perceber sinais ou sintomas de disfagia procure rapidamente uma equipe de saúde para que o diagnóstico e tratamento corretos sejam feitos. Quanto antes você buscar ajuda, mais chances de sucesso no diagnóstico e tratamento.

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Referências:

AMARAL, A. C. F. et alFonoaudiologia e nutrição em ambiente hospitalar: análise de terminologia de classificação das consistências alimentares. CoDAS. São Paulo, vol 27, n 6, dez. 2015. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/codas/a/mcFVYmpMB7SVtbhCWStDShq/?lang=pt> Acesso em: 06 Ago. 2021

ARAÚJO, C. N, CASTILHO, M. R. M, GOÉS, V. B. A EQUIPE MULTIDISCIPLINAR NO CUIDADO A DISFAGIA OROFARÍNGEA NEUROGÊNICA PÓS ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO. Rev. Científica Eletrônica de Ciências Aplicadas da FAIT. São Paulo, n. 2, nov. 2019. Disponível em: <http://www.fait.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/E3fzEqEpOZbC1fg_2020-7-23-19-37-38.pdf> Acesso em: 06 Ago. 2021

CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Viver a vida sem perder o sabor é envelhecer com saúde. 2019. Disponível em: <https://www.cffa.ml/wp-content/uploads/2019/09/pubmanual5.pdf>. Acesso em: 29 Jul. 2021

EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Disfagia: saiba identificar os sintomas e prevenir as consequências. 2021. Disponível em: <https://www.gov.br/ebserh/pt-br/comunicacao/noticias/disfagia-saiba-identificar-os-sintomas-e-prevenir-as-consequencias>. Acesso em: 29 Jul. 2021

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Quais as causas e tratamento para disfagia esofágica?. 2018. Disponível em: <https://aps.bvs.br/aps/quais-as-causas-e-tratamento-para-disfagia-esofagica/>. Acesso em: 29 Jul. 2021

SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Disfagia: saiba o que é e o que fazer. 2021. Disponível em: <http://blog.saude.mg.gov.br/2021/03/19/disfagia/>. Acesso em: 29 Jul. 2021

SOCIEDADE BRASILEIRA DE FONOAUDIOLOGIA. Dia Nacional de Atenção à Disfagia. Disponível em: <http://www.sbfa.org.br/portal/pdf/folder_dia_disfagia.pdf>. Acesso em: 29 Jul. 2021

SOCIEDADE BRASILEIRA DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA. Dia Nacional de Atenção à Disfagia. 2021. Disponível em: <https://sbgg.org.br/dia-nacional-de-atencao-a-disfagia/>. Acesso em: 29 Jul. 2021

SOCIEDADE BRASILEIRA DE MOTILIDADE DIGESTIVA E NEUROGASTROENTEROLOGIA. Disfagia. 2019. Disponível em: <http://www.sbmdn.org.br/disfagia/>. Acesso em: 29 Jul. 2021

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